Sempre fui uma pessoa que gosta de ler, mas, como acontece com tudo na vida, já passei por fases em que lia mais e outras em que lia menos.
No ano passado, por causa do excesso de trabalho — que me deixava sem energia e com a cabeça completamente exausta —, a leitura acabou ficando em segundo plano.
E não era por falta de opções, mas porque eu me distraía com qualquer coisa. Passei de ler pelo menos um livro por mês a demorar três meses para terminar um único livro.
Enquanto isso, o TikTok vivia me mostrando criadoras de conteúdo que faziam um reading journal. Eram cadernos lindos, cheios de cor, preenchidos com muito capricho e entusiasmo.
Esses diários servem para registrar as leituras feitas, e pensei que poderiam ser uma forma divertida de me motivar a voltar a ler mais. Eu estava certa. Mas essa não foi a única razão para criar o meu.
Além de querer voltar a ler com mais frequência, comecei esse projeto porque percebi que minha capacidade de concentração estava diminuindo cada vez mais. Eu esquecia até o que tinha feito no dia anterior. Estava vivendo o chamado brain rot e me assustava pensar que isso pudesse piorar.
O momento decisivo para finalmente começar o diário de leitura aconteceu quando peguei um livro para ler e, faltando cerca de 100 páginas para terminá-lo, percebi que já o havia lido. Dois anos antes. Eu simplesmente não me lembrava.
Em que momento consumir livros, séries e filmes deixou de ser algo que me preenchia para se tornar algo que me esvaziava por dentro? Eu precisava estar mais consciente do que consumia, e comecei justamente pelas minhas leituras.
Escrevo uma ficha para cada livro assim que termino a leitura. Cada ficha tem diferentes seções: o título do livro, o nome da autora (ou do autor), o gênero, o número de páginas e o mês em que a leitura foi concluída.
Também acrescentei algumas palavras-chave, um pequeno resumo e, o mais importante, minhas impressões — um espaço para escrever uma resenha com mais liberdade.
Na parte superior, desenhei alguns coraçõezinhos para tornar mais visual o quanto gostei da obra, mas você pode usar o que quiser. Vale incluir as frases de que mais gostou, escrever uma frase sua que resuma a experiência, fazer desenhos, colar adesivos ou qualquer outra coisa.
Não existe um jeito certo de montar um diário de leitura. Existe apenas o seu.
No meu caso, além de uma capa simples, incluí o que acabou se tornando minha parte favorita do caderno: a minha biblioteca. Desenhei estantes, uma janela, alguns objetos de decoração e vários livros que vou colorindo à medida que termino cada leitura.
A ideia não é completar essa estante em um ano, mas preenchê-la aos poucos, sem prazo. Ainda assim, cada livrinho colorido me dá uma pequena sensação de vitória. Tanto que, em meados de julho, eu já havia lido 16 livros. Em apenas uma semana, esse número aumentou para 18.
Cada ficha me ajuda não apenas a ter mais consciência do que li e do que aquele livro me fez sentir, mas também a reconhecer que toda leitura — melhor ou pior — merece pelo menos cinco minutos de reflexão, para não acabar esquecida em algum canto da memória até desaparecer completamente.
No diário também reservei uma página de "resumo", onde anoto o título da obra, o nome de quem a escreveu e uma nota — que corresponde ao número de corações — para ter uma visão geral de como estão sendo minhas leituras.
E, já empolgada, alguns meses depois acrescentei também alguns "desafios literários" bem simples: ler uma autora nova por mês e concluir dois livros por mês. Nada muito ambicioso, principalmente se considerarmos que os livros curtos estão em alta.
Não importa se você não sabe desenhar, se prefere apenas escrever, se não usa adesivos ou se pretende encher o caderno deles. O importante é simplesmente começar.
Eu usei um caderno que já tinha em casa, daqueles de folhas pontilhadas, mas você também pode comprar um diário de leitura pronto. Ainda assim, depois de me divertir tanto pensando, desenhando, colorindo e escrevendo, recomendo que você se aventure a criar o seu do zero, em um caderno em branco.
E não tenha medo de errar porque, como já dizia María Yuste ao falar sobre o junk journaling, o mais importante é aproveitar o processo, e não buscar um resultado perfeito.
O meu diário está longe de ser perfeito, mas é meu. E ele tem me ajudado não apenas a ler mais, mas, principalmente, a ler melhor e a aproveitar muito mais cada leitura.